10 Termos do Mercado Financeiro que todo investidor iniciante deve conhecer

Tempo de leitura: 7 minutos

O Mercado Financeiro está cheio de termos técnicos e abreviados. Entenda os principais

Introdução

Parece até que quem já está dentro do mercado financeiro, seja quem trabalha com economia ou que já faça investimentos há um tempo ou qualquer outro indivíduo que esteja incluído nesse meio, faz questão de falar somente o idioma “economês”. Como se fosse criada uma barreira para evitar a entrada de iniciantes e inexperientes.

Mas não é nada disso.

É apenas o modo como o mercado financeiro funciona e não tem nada de monstruoso nisso. Nada que um pouco de leitura resolva.

Aqui neste artigo vou focar nos 10 principais termos de conhecimento mais do que necessário para a entrada do investidor iniciante.

São termos básicos e que merecem a sua atenção.

Veja!

1. Custo de Oportunidade

Não é um termo que seja extremamente necessário você conhecer logo de cara, mas, na minha opinião, é um dos conceitos mais interessantes de se entender, pois, de fato, ele se aplica a tudo. Consequentemente, se aplica a todo investimento que você venha a fazer.

O Custo de Oportunidade nada mais é do que o custo de uma renúncia.

Se você tiver várias opções de investir e escolher uma delas como sendo a ideal, você estará, automaticamente, renunciando a todas as outras opções. Isso se chama custo de oportunidade.

Em outras palavras é o custo de algo em termos de uma oportunidade renunciada.

Por exemplo, quando compramos algo, além de estarmos gastando dinheiro, estamos perdendo a oportunidade de investir essa mesma quantia.

2. Inflação

Literalmente, o termo significa o efeito de inflar ou inchar. Ou seja, significa um aumento de preços, seja em produtos ou serviços.

Devido a este aumento significativo nos preços, podemos dizer que, constantemente, o poder de compra diminui se nosso salário não aumenta.

O principal indicador para medir a inflação é o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo).

Alguns investimentos não conseguem superar a inflação, ou seja, neste caso houve também diminuição do poder de compra. Foi o caso da Poupança em 2015. Quem deixou o dinheiro “parado” lá viu aquela quantia perder valor no tempo e comprar menos de um mesmo produto, por exemplo, do que na data em que foi aplicada.

O IPCA em 2015 foi de 10,67%. Já em 2016 foi de 6,28%. Fonte: www.calculador.com.br.

3. Juros

Um conceito simples, mas que não pode deixar de ser mencionado.

É o aluguel do dinheiro, seja para emprestar (rendimentos de uma aplicação financeira, por exemplo), seja para tomar emprestado (financiamento ou empréstimo, por exemplo).

Existem os Juros Simples e os Juros Compostos.

Pegando-se um rendimento mensal como exemplo, nos juros simples o rendimento incide somente sobre o capital inicial aplicado, enquanto nos juros compostos o rendimento incide sobre o capital inicial somado ao que já rendeu mês a mês.

Veja a frase abaixo de Albert Einstein e entenda a importância do Juro Composto.

O juro composto é a maior invenção da humanidade, porque permite uma confiável e sistemática acumulação de riqueza

4. CDI

O Certificado de Depósito Interbancário ou simplesmente CDI é o nome dado ao título emitido por instituições financeiras que lastreiam as operações do mercado interbancário, ou seja, transações entre bancos.

Um banco que tem reservas financeiras transfere recursos para um banco que necessita de capital para repor seu caixa.

O CDI é uma taxa média diária dos empréstimos entre bancos. Costuma acompanhar de perto a taxa Selic.

Os CDB’s ou Certificados de Depósito Bancário podem ter seu rendimento atrelado ao CDI. Um CDB 110% do CDI rende 110% do CDI ao ano. Para saber o valor do CDI você pode fazer uma breve pesquisa na internet ou acompanhar pelo aplicativo Renda Fixa.

5. Selic

Também conhecida como a taxa básica de juros da economia no Brasil.

É a taxa de financiamento no mercado interbancário para operações de um dia, ou overnight, que possuem lastro em títulos públicos federais, títulos estes que são negociados no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic).

A taxa Selic é dividida em duas: a over e a meta.

A Selic Over é a de fato praticada.

A Selic Meta é a que você costuma escutar nos noticiários e serve de parâmetro para as outras taxas do mercado.

A taxa Selic é definida a cada 45 dias, que é quando o Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne e estabelece, de acordo com o andamento da economia do país, se ela será mantida, aumentada ou diminuída.

Para efeito de exemplificação, normalmente, quando a inflação está alta, aumenta-se a taxa Selic para que aja um freio no consumo.

Para saber o valor da Selic hoje acesse aqui o site do Banco Central do Brasil e veja.

6. FGC

O Fundo Garantidor de Crédito ou FGC é uma instituição não financeira com o objetivo de assegurar o investidor em casos como liquidação extrajudicial de instituições financeiras e reconhecimento, pelo Banco Central, de insolvência da instituição associada. Um possível calote também é coberto.

De forma resumida podemos dizer que caso seus investimentos estejam em instituições associadas ao FGC e estas venham a falência, você terá seus investimentos de volta acrescidos do lucro até a data de decretação da falência.

O limite do FGC é de R$ 250.000,00 por CPF e por instituição.

Se você tiver R$ 251.000,00 na corretora A e esta for associada ao FGC, você terá garantido, em caso de falência da corretora, R$ 250.000,00. Os outros R$ 1.000,00 restantes não estão garantidos.

Antes de investir saiba se a instituição é associada ao FGC. Caso não seja, ela provavelmente apresentará investimentos mais rentáveis, pois assim compensa o risco.

Para saber mais sobre o FGC e quais instituições estão associadas acesse aqui.

7. Liquidez

A liquidez no mercado financeiro tem seu conceito ligado a facilidade com que um ativo se transforma em dinheiro.

Podemos dizer que a liquidez de um imóvel é baixa, pois não é de um dia para o outro que conseguimos vende-lo. Já a liquidez de um título do Tesouro Direto é alta, pois sempre que vendemos nosso título de volta para o Tesouro, ele o recompra pelo preço do dia no mercado.

Os títulos privados, como CDB, LCI e LCA, podem ter liquidez somente no vencimento ou diária dependendo do banco emissor.

Na Bolsa de Valores as ações que possuem maior liquidez são as de empresas maiores, pois a procura, evidentemente, é maior.

8. Renda Fixa

É o termo a que se refere a qualquer tipo de investimento que possui remuneração paga em intervalos e condições preestabelecidas.

Esse tipo de investimento pode ser entendido como um empréstimo onde o investidor concede dinheiro a uma entidade em troca do pagamento de juros.

Ex.: Tesouro Direto, CDB/RDB, LCI/LCA, LC, CRI/CRA, Debênture, COE, etc.

9. Renda Variável

É o termo a que se refere a um tipo de investimento cuja remuneração ou retorno de capital não pode ser dimensionada no momento da aplicação nem em nenhuma data.

Possui risco de moderado a altíssimo.

Ex.: Ações, Fundos de Ações, Opções, Ouro, Fundos de Investimento Imobiliário, etc.

10. Risco Ex-ante e Ex-post

A expressão ex-ante significa antes do fato e ex-post, logicamente, significa depois do fato.

Você deve estar se perguntando o que isso tem a ver com os seus investimentos. Eu digo que tem tudo a ver.

Imagine que deem a você a missão de atravessar uma rua de olhos vendados. Você concorda que existe aí um grande risco, no caso o de ser atropelado?

Você aceita o desafio, atravessa a rua de olhos vendados e sai ileso. A partir desse momento você acredita que atravessar a rua desse jeito é uma tarefa fácil. Você esquece que antes havia um risco.

Conseguiu entender?

Agora lembra daquele amigo seu que fala que investe em um fundo que rende 50, 100% ao ano.

Pergunte a ele sobre o risco desse fundo. Ele, muito provavelmente, desconhece. Tenho certeza absoluta também de que ele não sabe o que é ex-ante e ex-post.


Para conhecer mais termos importantes do mercado financeiro acesse o nosso Dicionário.

 

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