7 Sinais de que você precisa de ajuda com as suas Finanças

Tempo de leitura: 9 minutos

Para ter o controle total de suas Finanças você precisa se desfazer imediatamente de algumas crenças populares

Introdução

Que o brasileiro tem sérias dificuldades para cuidar das suas próprias finanças todo mundo já sabe. O que quero mostrar é que devemos tratar nossa educação financeira como algo sério.

Nosso país ainda possui um conceito de manada muito arraigado, principalmente entre os homens: quem não gosta de futebol e não bebe cerveja é no mínimo estranho, pensam a maioria.

Queremos estar sempre incluídos em nosso meio e até aí não tem nada de mais. O problema é quando isso afeta outras áreas da nossa vida, como a financeira. A partir deste ponto devemos buscar um equilíbrio.

Mas veja porque estou tocando nesses assuntos mais específicos. Sempre escutei frases como:

Se eu passar a ganhar menos nunca que eu vou baixar meu padrão de vida!

Porque Fulana não troca de carro?

Estou investindo agora. Adquiri um Título de Capitalização!

Vou financiar minha casa própria em 30 anos!

Todas essas frases contêm erros gravíssimos para as suas finanças. Erros que eu diria que algo em torno de 90% da população não reconhece como erro. Simplesmente porque pensam como a maioria.

Em casos mais graves podemos ter nossa saúde afetada. Veja este artigo: 69% dos inadimplentes sofrem de ansiedade por não conseguir pagar dívidas, aponta pesquisa do SPC Brasil e CNDL.

Portanto só quem pode mudar isso é você, seja através de pesquisa, seja através de leitura ou estudos. Busque conhecimento constantemente.

Agora veja 7 sinais que identificam se você precisa de ajuda com as suas finanças.

1. Acreditar que Título de Capitalização e Poupança são investimentos

Não podemos mentir.

Apesar de você escutar por aí que a Poupança não é investimento, ela de fato é. O problema é que seu rendimento é tão ruim que nem parece que realmente rendeu alguma coisa. E para os menos desavisados, o rendimento dela ocorre somente no aniversário do depósito.

Acompanhe o exemplo abaixo.

Você deposita R$ 50,00 na Poupança hoje, dia 02/11/17. Esses R$ 50,00 só irão render alguma coisa no dia 02/12/17. Se resolver tirar essa quantia no dia 01/12/17, o rendimento terá sido nulo. Isso mesmo, seu dinheiro não terá rendido NADA!

Entendeu porque muitos falam que não é investimento?!

Eu, particularmente, vejo a Poupança como uma forma de poupar, como forma de guardar quantias menores e que possam ser rapidamente resgatadas. Somente isso!

Já o Título de Capitalização, este de fato não é e NUNCA será um investimento. É, na verdade, uma loteria, onde você deposita um dinheiro e aguarda ser sorteado.

Seu dinheiro fica lá parado e não rende absolutamente nada, ou seja, infinitas vezes pior do que a Poupança.

A grande maioria, para não dizer quase todo mundo ou todo mundo, ao término do prazo definido recebe o seu dinheiro de volta sem ter ganhado qualquer prêmio.

Dinheiro esse que agora vale menos, pois, devido à inflação durante o período em que o dinheiro ficou literalmente parado, ele perdeu valor no tempo.

2. Não se pagar primeiro

Esse é um dos principais erros que cometemos ao lidar com o nosso salário.

Se você espera sobrar dinheiro no final do mês para investir, você está, como a maioria, agindo de forma errada.

“Pagar-se primeiro” significa você investir no seu patrimônio, nos seus ativos, antes de pensar em pagar as contas, comprar bens de consumo ou adquirir outros passivos. Dessa forma você estará fazendo crescer o seu patrimônio.

Parece complicado investir no começo do mês?

Então comece com quantias pequenas e aumente na medida que for possível. Depois de algum tempo você estará sim investindo o que sobrar no final do mês, mas depois de “pagar-se primeiro”.

Não guarde o que resta depois de gastar, mas sim gaste o que sobrou depois de guardar.

Esse é o pensamento.

3. Achar que casa própria é investimento

Recentemente fiz um post no Instagram falando sobre isso e recebi milhares de pedradas nos comentários.

Muitos almejam adquirir a casa própria e, por isso, se sentem atingidos. Isso não deveria ser motivo. Eu não tenho casa própria e tenho vontade de ter a minha. Não é por isso que, quando ouvi pela primeira vez alguém falando sobre isso, fiquei chateado.

A propósito, quem me abriu a mente sobre o assunto foi nada mais nada menos do que o Gustavo Cerbasi, no livro “Investimentos Inteligentes” (recomendo demais essa leitura).

Casa própria é bem de consumo, não é investimento.

Você pode falar que é investimento no futuro, mas, neste caso, você está usando a palavra no sentido conotativo, um sentido que não é o do dicionário.

Investimento, denotativamente falando, é algo que lhe rende juros.

Uma casa para alugar é investimento, constitui ativo, pois você receberá aluguel. Já uma casa para morar não é investimento, constitui passivo, pois você terá gastos como condomínio, IPTU e outros.

4. Viver a “Corrida dos Ratos”

Se você olha para o seu salário todo final de mês e se pergunta para onde foi parar aquele dinheiro, muito provavelmente você está preso na “Corrida dos Ratos”.

Corrida dos ratos é um termo usado para um exercício sem fim, auto-destrutivo ou inútil. Evoca a imagem dos esforços inúteis de um rato de laboratório tentando escapar correndo em uma roda ou em volta de um labirinto.

A “Corrida dos Ratos” foi apresentada por Robert Kyiosaki no livro “Pai Rico Pai Pobre” e remete ao texto acima, retirado do wikipidia (veja aqui).

O autor nos mostra o ciclo que acontece com a maioria. De forma resumida podemos dizer que as pessoas estão em busca de dinheiro, pois o que elas possuem não é suficiente. Depois de algum tempo passam a ganhar mais e, ao invés de acumularem riquezas, passam a aumentar os seus gastos, seja comprando uma casa, trocando de carro ou simplesmente aumentando gastos em outros bens de consumo. E aí retornam ao início do ciclo onde não possuíam dinheiro.

corrida dos ratos e finanças

Para escapar dessa corrida Kyiosaki nos ensina, principalmente, que devemos comprar Ativos ao invés de Passivos.

Ativos são bens geradores de renda, ou seja, imóveis para alugar, investimentos que rendem juros. Enquanto passivos são bens geradores de despesa como imóvel usado para moradia, carro e outros bens de consumo.

Não é que você não deva comprar a sua casa ou carro, lógico que não é isso. Porém, na medida do possível, devemos acumular ativos. Só assim é possível gerar riqueza.

Geralmente as pessoas de mentalidade pobre compram passivos pensando que são ativos, como no caso da casa própria já comentado aqui neste artigo. Um gravíssimo erro com as suas finanças.

5. Acreditar que coisas te deixarão rico

Costumo sempre comentar sobre o “status” que o brasileiro dá para o carro.

Fulano tem carrão, é rico.

Conheço pessoas com padrão de vida menor do que o meu e que financiam o carro em parcelas de R$ 2.000,00 por mês, sendo que a metade desse valor é só juros.

Aí você entra em um condomínio de classe média alta e repara os carros de cada casa.

Se um dia tiver essa oportunidade, faça essa mesma reflexão. É engraçado ver como aquelas pessoas têm de fato muito dinheiro, mas seus carros são “inferiores” aos daqueles seus amigos que financiam o carro em 5 anos pagando absurdos de juros ao banco. Literalmente jogando dinheiro fora.

Entende porque não são as coisas que vão te deixar rico. Comprar carrão só lhe trará despesas e, quanto mais caro, obviamente os custos de manutenção serão maiores. Aquelas camisas de marca também só lhe darão “status” de quem você não é e ainda te deixará mais pobre.

Voltamos então ao tópico anterior a esse: não viva a “Corrida dos Ratos”, compre ativos ao invés de passivos.

6. Achar que o amor ao dinheiro é a fonte de todo mal

Não que devamos ter amor ao dinheiro, não é isso.

Porém o dinheiro nunca será fonte de mal algum, pelo menos não deve ser. Não é porque você vai ter dinheiro que você vai mudar. Você não tem nada a ver com aquele político corrupto. Ele já era corrupto, o dinheiro e o poder só afloraram essas características.

Para quem sabe usar, o dinheiro só trará bons frutos, além de ser fonte para doações, que é um dos maiores bens que podemos fazer.

7. Gastar mais do que ganha

Erro clássico.

Em hipótese alguma devemos gastar mais do que ganhamos, pois, se os seus cálculos de gastos computam o seu salário como um todo, o erro já está aí. Não temos gastos iguais em todos os meses, por isso você deve trabalhar com uma margem de sobra com relação ao seu salário.

Muitos consideram como quantia ideal para guardar, poupar ou investir uma porcentagem em torno de 10%. Eu vou mais além, acredito em 20%. E acredite, é perfeitamente possível. Ainda assim, pensando dessa maneira, existirão meses em que será difícil conseguir 10%, pois imprevistos acontecem. É normal, mas estou preparado.

Se o imprevisto superar o salário, nesse caso, você pode usar a sua Reserva de Emergência. Caso não tenha uma reserva e queira saber o que é acesse aqui.

Conclusão

Acredito que você tenha percebido que a sua situação financeira é algo muito importante e que deve ser bem cuidada. Suas finanças merecem atenção.

Logo, ao identificar sinais de que algo não está certo, busque informações e leia, leia bastante.

Investir em conhecimento rende sempre os melhores juros.

Veja também As melhores 7 ferramentas gratuitas para você investidor.

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