Aprenda, de uma vez por todas, a investir no Tesouro Direto

Tempo de leitura: 8 minutos

E entenda porque o Tesouro Direto é um dos melhores investimentos que você pode fazer

Introdução

Criado em 2002, o Tesouro Direto tem por objetivo principal arrecadar fundos para o pagamento da dívida pública. Dessa forma você pode emprestar o seu dinheiro ao governo que lhe devolverá o capital investido acrescido dos juros em uma data futura.

É um investimento de Renda Fixa, ou seja, sabemos no momento da aplicação quais são as condições de rendimento.

Uma das maiores dificuldades que você pode encontrar para investir no Tesouro Direto é a quantidade de títulos oferecidos, porém você deve ter em mente sempre um objetivo e aí, deste modo, ficará muito mais fácil escolher em qual investir.

Veja agora o que você precisa saber para investir, de uma vez por todas, no Tesouro Direto.

Como investir?

Através de alguma instituição financeira, como bancos ou corretoras.

Para abrir conta em uma corretora basta entrar no site da instituição e solicitar o seu cadastro. Não se assuste se este processo durar até uma semana, é comum, mas isso varia de corretora para corretora. Após analisar seus dados você receberá um retorno da própria corretora e, a partir deste momento, poderá transferir o seu dinheiro para a sua nova conta criada. Agora você já está apto para investir e ver o seu dinheiro trabalhar para você.

Um detalhe importante que você deve saber é que, para manter essa conta aberta, você não paga nada.

A instituição que você escolheu será a sua intermediadora junto ao Tesouro. Quando você for investir no Tesouro Direto através da corretora, ela mesma se encarregará de fazer o seu cadastro no site do Tesouro, o que o gerará uma senha para que você possa acessar a sua conta diretamente pelo site. Lá você acompanhará os seus títulos e poderá até investir diretamente pelo site.

Como são os rendimentos?

Variam de acordo com o investimento escolhido. Podemos encontrar dois tipos de títulos:

  • Pós-fixados: aquele investimento que, apesar de já acordado o tipo de rendimento, não é possível prever exatamente quanto ele renderá até o vencimento. Investimentos assim são atrelados à índices como a Selic, o IPCA ou outros. Por esse motivo, os cenários políticos e econômicos podem influenciar no rendimento tanto para mais, quanto para menos.

Por exemplo:

– Tesouro IPCA+ 2024 (indexado ao IPCA)

– Tesouro Selic (indexado à Selic)

  • Prefixados: É aquele investimento onde já conhecemos exatamente quanto ele vai render até o seu vencimento, não importando o que possa vir a acontecer com o cenário político ou econômico. Geralmente expresso em porcentagem ao ano.

Por exemplo:

– Tesouro Prefixado 2020

– Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2027

Para saber quais são os títulos vigentes na data que você lê este artigo e quais são os preços e rentabilidades, acesse aqui.

Veja 3 exemplos

O título Tesouro IPCA+ 2024 rende, por exemplo, o IPCA (que está em 1,16% no acumulado até junho) somado à porcentagem indicada quando da compra do título (no momento em que escrevo este artigo está em 5,02% a.a.).

O título Tesouro Selic rende a taxa Selic (na data em que escrevo este artigo está em 9,25%) somado a uma taxa de ágio (resumidamente juros a mais) ou deságio (resumidamente juros a menos). No momento em que escrevo este artigo temos ágio de 0,01%, ou seja, o título Tesouro Selic está rendendo 9,26% ao ano. Porém lembre-se que a taxa Selic pode sofrer alterações a cada 45 dias, quando acontece a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).

O título Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2027, no momento em que escrevo este artigo, rende, fixamente, 9,90% a.a., ou seja, independente do que aconteça com a Economia do país (Selic baixar, Inflação subir, etc.), ele renderá esta porcentagem fixa ao ano. O fato de o investimento ser com juros semestrais indica que o investidor recebe um fluxo de cupons semestrais de juros.

Qual é o valor mínimo para investir?

De um modo geral, o valor mínimo para investir no Tesouro Direto é de R$ 30,00, porém isso vai depender do valor do título.

Para entender melhor, veja este extrato retirado do site do próprio Tesouro:

“A quantidade mínima de compra é a fração de 0,01 título, ou seja, 1% do valor de um título, desde que respeitado o valor mínimo de R$ 30,00. O investidor pode comprar 0,01 título; 0,02 título; 0,03 título e assim por diante”

Veja um exemplo:

O Tesouro Prefixado 2023 possui uma taxa de rendimento de 9,82% a.a. e um valor nominal de R$ 602,73 no momento em que escrevo este artigo. O valor mínimo para investir nesse título seria R$ 6,02 correspondente a 0,01 do valor dele, porém, conforme o texto acima, o valor mínimo é limitado a R$ 30,00. Com isso precisaríamos comprar, no mínimo, 0,05 do título, o que corresponderia a R$ 30,10.

Podemos também encontrar o valor mínimo de investimento em cada título no site do Tesouro. Veja aqui.

Quais são os possíveis riscos?

O risco de investir no Tesouro Direto é, de um modo geral, só um: o de ocorrer um calote do governo e você não receber o seu dinheiro quando vender o título. Porém, nenhum governo consciente faria isso. Seria um tiro no próprio pé já que, investidores estrangeiros e os próprios brasileiros perderiam a confiança no governo. Injetando, consequentemente, bem menos dinheiro no país.

O próprio governo faz a propaganda do Tesouro Direto como o investimento mais seguro do país.

Quais são os custos?

Existem 4 possíveis custos. São eles:

  • Imposto sobre Operações Financeiras (IOF);
  • Imposto de Renda (IR);
  • Taxa de Custódia da BM&F Bovespa; e
  • Taxa de Administração.

O IOF é cobrado através de tabela regressiva até os primeiros 30 dias. A cobrança é somente sobre o rendimento e, após os 30 dias este imposto não é mais cobrado. Para se ter uma noção, no primeiro dia, a cobrança é de 96% do rendimento e no vigésimo nono dia, esta cobrança é de 3% sobre o rendimento.

O IR é cobrado também através de tabela regressiva. Até 180 dias, o valor cobrado é 22,5%. De 181 a 360 dias, 20%. De 361 a 720 dias, 17,5% e acima de 720 dias, 15%. A alíquota devida é incidida sobre o rendimento.

A Taxa de Custódia cobrada pela BM&F Bovespa é de 0,30% ao ano sobre o valor do título. Essa taxa é cobrada referente aos serviços prestados.

E, por fim, a Taxa de Administração que é cobrada pelas corretoras pela administração do título. Porém, muitas hoje em dia nem sequer cobram mais esta taxa.

Marcação a Mercado

A marcação a mercado serve para atualizar o valor de mercado dos títulos. Por esse motivo o seu título poderá temporariamente render negativamente, mas calma, você precisa entender o porquê disso acontecer e entender também porque ter um objetivo na hora de investir é muito importante.

A marcação a mercado ocorre porque, diariamente, investidores negociam os títulos apostando na alta ou na queda das taxas de juros. Tais negociações influenciam nas expectativas para a Economia, o que faz o preço de cada título flutuar e, consequentemente, os juros também flutuam. De modo resumido, quando o preço de um título cai, sua taxa para novos investimentos sobe.

Por tudo isso explicado, pode ser que, após investir em um título do Tesouro Direto, depois de algum tempo, o rendimento esteja negativo ou, também, pode ser que o rendimento esteja bem mais alto que o acordado. Porém, se você investir com objetivo e comprar, por exemplo, o título Tesouro Prefixado 2020 e aguardar até a data de vencimento, você terá de volta o seu dinheiro aplicado somado a taxa de juros acordada. As flutuações ocorrem somente no caminho do título até o vencimento.

Essas diferenças de preços dos títulos não afeta o Tesouro Selic, somente os demais.

Passo a passo

  • Passo 1: CADASTRE-SE

A operação no Tesouro Direto deve ser intermediada por uma instituição financeira, como bancos e corretoras. Escolha uma instituição e faça o seu cadastro.

  • Passo 2: ESCOLHA O TÍTULO

Escolha um dos títulos de acordo com o seu objetivo. Veja todos os títulos aqui.

  • Passo 3: COMPRE

Após possuir conta em instituição para o investimento e após escolher qual título comprar, basta disponibilizar os recursos na instituição e fazer seu investimento.

Concluindo

Como o próprio lema do Tesouro diz: “Quem entende investe”. E foi exatamente isso que eu quis mostrar aqui, pois pode parecer muito difícil investir no Tesouro Direto, mas somente parece. Com um pouco de explicação tudo pode ser resolvido.

O Tesouro Direto apresenta uma boa quantidade de títulos para as diferentes estratégias do investidor e é, inclusive, uma excelente ferramenta para a poupança para a aposentadoria por apresentar títulos de longo prazo.

Ponha em prática os ensinamentos aqui apresentados e bons investimentos!